O que a vida quer da gente é coragem!

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

(Trecho do livro Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa)

Antes de ontem coloquei um vestido pra ir trabalhar, mas o sapato que tentei primeiro não ficou bom. Pensei que o perfeito ali seria uma bota, mas bota não rolava porque é primavera e está mais “calor” em Londres. Queria pôr uma sandália, mas chovia lá fora e ando transporte público - desisti.

Daí quebrei a cabeça pra pensar no que poderia colocar no pé considerando que estava de vestido florido e uma meia-calça preta fio 15. Lembrei do meu Oxford. Agora sabe o emoji do macaquinho com as mãos na frente da cara? Era eu sentindo que não seria tarefa fácil.

🙈

Senta que lá vem mais uma história, #sentaquelavemtextao.


Sempre paquerei os Oxfords e achei ousado da parte das brasileiras que colocavam os danadinhos nos pés. Aqui na Inglaterra esse sapato é usado pelas mulheres há mais ou menos um século e sei que hoje em dia é muito mais comum, mas dez anos atrás não era algo que se via recorrentemente em solo tupiniquim. Então toda vez que via uma mulher com um desses por aí, pensava: “essa moça é corajosa”. E pensava assim porque eu tinha muita vontade de usar, mas me faltava essa audácia. Ensaiei muito pra comprar um!


Quando resolvi passar pelo processo de consultoria de estilo comentei com a minha consultora (um beijo, Thaís!) que eu tinha muita vontade de usar, mas me faltava coragem. Então, no dia da minha experiência em lojas, a gente começou a treinar.


Gente, quando coloquei aquele Oxford no pé lembro de achá-lo lindo! Mas na hora que olhei para o conjunto da obra no espelho me deu um incômodo gigantesco (dá uma olhadinha na foto aí de baixo, tirada naquele exato momento da história). Aquele dia, eu estava de pantacourt. Calça curta e sapato com pegada masculina juntos? Senti muito medo.

Resolvi encarar minha insegurança e depois de muito pesquisar, encontrei um Oxford dourado todo furadinho. Arrisquei sem peso na consciência porque estava comprando de segunda mão #lookpechinchaAE. Não foi fácil. Comecei pondo ele no pé em situações muito mais confortáveis do que a primeira vez que experimentei o modelo da loja. Colocava com calça jeans - bem basicamente - o que já era um movimento de muita valentia da minha parte na época.


E vocês já pararam pra pensar por que muitas vezes a gente escolhe o caminho da coragem enquanto algumas pessoas preferem ficar num lugar já conhecido? Eu penso muito nisso. No caso do nosso papo aqui, quero deixar o questionamento do porquê não arriscamos vestir algo diferente em vez de continuar colocando apenas aqueles 20% de sempre contido no nosso armário. Por que a gente tem roupa encostada no guarda-roupa? Por que existe o impulso de gastar dinheiro com algo que achamos lindo na loja, mas depois na hora do vamos ver não há coragem pra vestir aquilo que bancamos comprar (e aquela peça fica caída no esquecimento)?


Pausa pros comerciais, vamos lançar um curso que vai te ajudar a comprar melhor e parar de desperdiçar dinheiro. Interessou? Então de se cadastra aqui embaixo pra ficar sabendo em primeiríssima mão!

Uns anos atrás conheci a Brené Brown e comecei a entender um pouco mais sobre vulnerabilidade, tema do qual ela fala muito (fique comigo até o final que deixarei alguns links pra vocês a conhecerem melhor caso nunca tenham ouvido falar dela). Mas voltando ao assunto, o que aprendi com ela é que todos os dias a gente tem a chance de escolher a coragem em vez de ficar presa ao que já é confortável pra nós. É mais fácil ficar comprando roupa a torto a direito do que olhar profundamente pro guarda-roupa e ver como usar de forma diferente o que já tem lá. É mais fácil colocar a calça que achamos que nos veste bem do que aquela que deixa nos deixa com o quadril mais largo. É mais cômodo usar a blusa solta do que aquela linda que você comprou e evidencia uns quilinhos a mais ou a menos.


O que a Brené fala é que vulnerabilidade não tem a ver com dar certo ou dar errado. Estar vulnerável é ter coragem de se colocar numa situação em que você não consegue controlar o resultado. No meu caso, eu estava me sentindo esquisita quando saí de Oxford pela primeira vez. Percebia olhares, mas não sabia se era porque estava arrasando ou porque estava chocando a sociedade. Nunca vou saber e isso estava completamente fora do meu controle, mas mesmo assim fui pra rua, me expus e senti tudo o que precisava sentir pra depois sentar e reavaliar se valia a pena passar por essa experiência de novo. Não vou mentir, fiquei meses presa ao combo camiseta + calça jeans + Oxford. Até que um dia resolvi me desafiar e tentar algo diferente e não gostei. E ficou tudo bem, me parabenizei pela ousadia e segui em frente.


Como comecei a contar lá em cima, uns dois dias atrás eu estava de vestido e me veio a vontade de colocar o tal sapatinho britânico nos pés. Resolvi me botar numa situação de vulnerabilidade e juntar tudo de uma vez, vestido florido, meia calça preta contrastando um pisante dourado de bolinhas - muita informação. E pensei: “Vai, Patricia. Vai que você segura”. E fui. Fiquei bem, me senti uma menininha o dia todo com aquela roupa e recebi muito elogio. E o que as pessoas mais me falavam era do sapato, o que eu justamente não esperava. Aliás, um parêntesis, aqui em Londres as pessoas param você na rua pra falar de um item que está vestindo e perguntar onde você comprou (e te elogiar, é claro). A primeira vez que isso aconteceu eu levei um baita susto! Veio tipo uma nuvenzinha cinza em cima da cabeça e disse: “Ah, não é possível que ela só quer elogiar meu sapato, acho que vai pedir informação”. Mas não, era só pra dizer que eu estava arrasando mesmo. Fiquei rindo à toa e aprendi outra lição :)


Então pra finalizar queria, novamente, te convidar a se colocar nessa situação em que você sente que não tem coragem de se colocar. Talvez no seu caso tenha a ver com cor, com um corte diferente de calça ou até mesmo com um sapato como foi o meu caso. Lembre-se de que o mundo é dividido entre pessoas que arriscam e pessoas que não arriscam. Sabe aquela frase: “não quer brincar, não desce pro play”?. Eu normalmente escolho ir pro playground, mas não é fácil.


Se você ainda está com dúvidas, saiba que existe uma situação de vulnerabilidade que todo ser humano se sujeita viver sem pensar duas vezes: amar. A gente sabe que pode se machucar e, mesmo assim, arrisca. Então escolha se amar. Se desafiar. Se reinventar. Seja feliz e vista-se do que te faz ser essa pessoa singular. Você vai falhar, vai colocar roupas que no final do dia vão te deixar num desconforto só. Mas você vai estar escrevendo uma história linda de autoconhecimento e sendo honesta com você sobre o que realmente funciona e isso não tem preço.


Depois vem contar pra a gente no que você se arriscou?


Vamos adorar saber.


Aqui deixo os vídeos da Brené Brown que prometi:


​- TED sobre vulnerabilidade:

- TED sobre vergonha:

Semana que vem estou de volta :-)

Beijão,

Pati.

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